segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Acerca da paciência do ser

Gosto bastante de trocar ideias sobre o "ser" e, confesso, sinto dificuldades pelo fato de o mundo estar cada vez mais voltado para o "ter". Pode ser utopia. Vou ser condenada como alucinada, fora da realidade, viajona. Contudo, sigo firme em meu propósito, incluindo leituras que contribuem para a minha evolução humana, para meu crescimento pessoal e bem-estar das pessoas com as quais convivo.

E faço constantemente o exercício da serenidade, do equilíbrio. Vale abrir parênteses para meus picos "Saraiva" - ótimo personagem do saudoso Francisco Milani em Zorra Total -, mas são espamos e, já justificando, me policio: em algumas situações é preciso exercitar mesmo a tolerância (e a tarefa é um tanto árdua que por vezes vira "tolerância zero").

Na minha concepção, a preocupação em não deixar que o alto nível de stress, a grosseria e a estupidez virem achaques é trabalhar a paciência, a ponderação, a sensatez; é a preocupação constante em se manter controlado ao enfrentar reveses, por ínfimos que sejam (como a demora na fila do caixa do supermercado ao final do dia. Outro dia conversava com um homem impaciente sobre isso - aguardávamos na fila).

Na sociedade atual a falta dos componentes da tolerância é a maior razão de relacionamentos desfeitos. Pessoal e profissionalmente. Posso voltar nesta parte específica em outra oportunidade.
Na última semana o colunista do Notisul, um dos jornais diários de Tubarão, abordava o tema. Gostei do que li, provavelmente por comungar da ideia publicada pelo psicólogo Robson; me surgiram boas reflexões. Em certa altura do texto o autor cita que não gosta de usar o termo 'pessoa normal', e no decorrer da leitura não explica o porquê.

Num segundo momento Robson esclareceu brevemente tal ponto de vista. Parece, disse ele, que o normal hoje em dia é ficar nervoso, ser grosso, etc. E como mulher-geminiana-curiosa-jornalista-crítica continuei a me questionar sobre o que mais significaria para ele o tal do "pessoa normal".

Pois bem. Para mim há diferenças entre o comum e o normal. Essa minha conclusão, mesmo sem embasamento científico, resulta de infinitas reflexões. Como o colunista, observo que o comportamento estressado está tão comum que já é tido como normal, mas não é. E a cada gesto insano, a cada pecado, o que está comum vai sendo impresso como normal desde a tenra idade.

Tudo bem que os chiliques, a raiva, a irritabilidade fazem parte do comportamento humano - algumas mulheres são refens da TPM; alguns homens, de uns goles a mais de cerveja ou outra bebida com certo teor alcoolico.
Até mesmo os monges tibetanos devem ter movimentos um pouco mais bruscos ao serem picados por um inseto. Sei lá, devem ter. Ocorre que há pessoas que sentem prazer neste pecado de serem estressadas. Pecado é algo que eu cometo mesmo que esteja latente em minha consciência de que não é a atitude certa. Aí cabe a mim me redimir - ou não (caetaneando), conforme o grau de advertência de minha moral.

Conheço pessoas que passam uma existência toda turronas, desagráveis, secas, amargas... sem perceber que tal postura afasta o crescimento, o amadurecimento pessoal e social. Esses seres não estão pecando, pois não se atentaram ainda para a necessidade do exercício da paciência. Sem puritanismo, os que têm comportamento semelhante por conviniência pode ser que queimem no mármore do mal. E não descansarão em paz. Sabe aqueles momentos do "o que você faz quando ninguem te vê fazendo?" cantado pelo Capital Inicial? Discorro nessa linha. Se a pimenta nos meus olhos não é refresco, obviamente também não pode ser nos olhos alheios.

Não, eu não me classifico na coluna dos que passam a mão na cabeça do motorista que corta a frente de outro veículo. Também não tenho muita paciência quando entro em uma loja desejando ser atendida e não recebo retorno imediato. Outra coisa que pode me tirar do sério é quando preciso fazer várias ligações telefônicas, sem sucesso, pra uma mesma pessoa. Até uns 20, 25 anos de idade o normal era eu resolver a situação enchendo de desaforos quem fosse. Normal porque ainda não tinha de dado conta da energia negativa que isso me somava.

Hoje, aos 33, pondero. Peco menos. Respiro (bem) fundo. Volto mais tarde. Me distraio com algo mais importante. Exercito o ser boa ouvinte. Respondo "você tem razão". Peço desculpas. Tolero.
Ainda não virei uma flor de pessoa, entretanto o exercício é constante. Viro uma verdadeira sangue-de-barata. Já não perco mais uma manhã de vida em função daquelas situações que me provocam para que eu saia de mim. Até saio: mas volto rapidamente. Há de se ter muito cuidado com as descidas de salto e rodadas de baiana. Aliás, faz muito tempo que não expresso um "Bah, isso acabou com meu dia!!!!". E, graças, não sinto saudades dessa frase ou desse sentimento. Alívio.

Creio que percorro o caminho menos sinuoso. Como citou o psicólogo Robson, " a vida, apesar de apresentar dificuldades está aqui para ser degustada, pois não é só de desastres e trajedias que vivemos; tem muita coisa boa sendo feita nesse momento, ou seja, temos o costume de só olhar para o ruim".

Não sou adepta de literatura de auto-ajuda. Porém, creio que o ser humano tem o obrigação de se auto-analisar, de prezar pela serenidade, de se sentir leve, equilibrado. Somos uma especie passível de erro (o que é normal), mas ainda é tempo de trabalhar por um novo olhar. Sinceramente, penso que seja urgente. Chico Xavier resume tudo isso com a perfeição do sábio que foi, ao dizer que "embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

=)

- Mãe, quando a pessoa nasce? Quando sai da barriga da mãe ou desde quando ainda está na barriga?
- Ah, Tiago... penso que seja quando sai da barriga da mãe, já que os sinônimos de nascer são originar, surgir...
- Então quando corta o cordão umbilical a pessoa nasce. Não vai dizer que eu tô viajando, mas pra ela nascer no meio de dois dias precisa nascer que horas, meia-noite e trinta?
- Você não está viajando, apenas surgiu um novo pensamento. Mas ou você nasce num dia ou em outro.
(pausa)
- Tiago, o dia acaba à meia-noite. Um segundo depois já é o dia seguinte.
- Tais ainda nisso aí?
- É, fiquei pensando na melhor forma de te explicar.
- Ó, Fluminense e Flamengo ali...

(Adoooro!)

=)

E o surto da Gripe A, hein?! Alguém importante falou que o povo está se esbarrando em busca de máscaras, mas ninguem tem a mesma preocupação no que diz respeito ao uso de preservativos.
Também li ou ouvi que se faltar Tamiflu nós tamos fu. Brincadeiras à parte, há pessoas em pânico e há as negligentes. Em Tubarão, as autoridades decretaram a interrupção das aulas nas escolas e universidades e o cancelamento de eventos em ambientes fechados. Apenas comércio e mercados funcionam nos próximos dias até que se tenha uma análise melhor do quadro da epidemiologia na cidade.

Mas, pra contextualizar, essa medida isolada das demais como a higienização e a manutenção da boa imunidade, entre outras, pode diminuir o êxito nas barreiras contra a difusão da gripe do porco.

Em nossa secretaria de Comunicação (www.capivaridebaixo.sc.gov.br) , paralelo a outros esclarecimentos e cuidados, estamos propagando para a população que "uma mão lava a outra e as duas evitam a Gripe A". Simples assim, mas mata mais rápido que a Influenza comum.

6 comentários:

Cintia disse...

Acho que deverias escrever mais aqui, pq são boas as leituras moça!
Sobre a falta de paciência, acredito que com meus 23 anos já estou melhor...confesso que ainda sinto vontade de dar uma de Melissa Cadore e bater muitooo hehe.Mas, não quando estou na fila e sim nas pessoas forçam ser boas demais, educadas demais..e tudo demais... quando sabemos q ela esta louca é para nos enforcar hauhauhaua.

Beijoss nega!

dona Marcia disse...

Essa Melissinha deve mesmo ficar na história. De boba não tem nada, bem pelo contrário: a madame é uma perfeita mineirinha e o equilíbrio ali fica apenas na aparência, hehe. Quanto a vc, "amiga", tens boas escolas. Beijãaao, neguinha!

jaja disse...

Opa! Falta de paciência? Todos nós somos impacientes. Acredito que com o tempo melhoramos nosso comportamento,mas que me tira do sério mesmo é criança enchendo o saco. Mulher Incrível ótimo tema esse! Bjus e bjokas!

Márcia Denardi disse...

Guria, que coisa linda! Estou, no momento, exercitando minha paciência e cada dia minha empatia tem sido aflorada, sabia? Deixe-me lhe fazer uma pergunta: Quanto tempo você levou pra se estressar menos com a vida? Porque eu estou nessa luta faz tempo e ainda não vi melhoras. Mas, como dizia minha psicóloga, minha querida Lusmar, não existe regresso ou estagnação. Na verdade, nós é que não percebemos o nosso progresso. Somos como um espiral, podemos até 'pecar' repetidas vezes, mas nunca voltamos a ser o ignorante que éramos. Quem sabe nos tornamos um ignorante melhorado, né?
Beijoss

Cintia disse...

Ah esqueci de comentar ..minha terapeuta diz q não somos tão erradas não. Se está no nosso temperamento expressar nossa impaciência que façamos. Pelas teorias dela...temos q viver com a nossa essencia:)Ouvi isso, equilibrei o q realmente vale a pena perder a paciência e me sinto melhor nega. Então, final feliz para nós!

dona Marcia disse...

Jaja, faltou dizer ali que lidar com crianças é minha fórmula. Por exemplo, se eu dou uns gritos, uns tapas é porque minha calma já foi pro espaço; então tento negociar (mas aconteceu de os meus levarem uns tapas, sim, hehe).

Não lembro, Dena. Mas creio que foi depois que tive meus filhos. Não é nem o se estressar menos, mas o buscar o equilíbrio e não perder o dia por motivos que não serão resolvidos naquele momento. Hmmm! Gostei dessa do espiral, viu?!

Coisa boa, hein, Cintia... olhar pra trás e constatar que melhoramos "de verdade". Maravilha!