segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mocinha ou bandida?

Há quase três anos, já no final da faculdade de Jornalismo, precisei escrever uma crônica que seria publicada na página 2 do Extra, nosso jornal-laboratório. Meu tema era 'fofoca' e nada melhor que o Orkut para introdução do assunto. O site, que na época fora enriquecido com novas ferramentas, facilitava - e continua nessa função - a desfiada do assunto proposto. Meses depois o portal Comunique-se publicou meu filho. Passaria batido se não fosse o professor Ronald Saint's a observar e reconhecer. E eu era a mais faceira por ver o texto parrudinho sendo exibido pro mundo todo. Eis a crônica (que não foi escolhida para o jornal Extra, lamentei) conservada a realidade daquele momento. Será a fofoca vilã ou vítima?

Vou te contar... mas é segredo, tá?!

Mexerico. Intriga. Fuxico. Bisbilhotice. Fofoca. O que vem a ser isso senão a curiosidade desenfreada a respeito da vida alheia?
Em outras palavras, querer saber da vida dos outros. Nesse misto de curiosidade, malvadeza ou falta do que fazer, o Orkut nosso de cada dia tem contribuído um pouquinho. A tal da comunidade online que conecta as pessoas através de uma rede de amigos confiáveis (?) é uma tentação à pressa de sair da internet. Revela tudo: desde onde a colega esteve no fim de semana até suas preferências sexuais. O site mostra a vida da colega e a dos colegas da colega. Receosos, alguns orkuteiros aderiram à moda do apagão: Você entra para conferir o movimento e encontra um único recado, tipo, “devido à alta espionagem de pessoas que não têm o que fazer, amigos, scraps lidos, respondidos e apagados”, ou “meus amigos, me desculpem por ter apagado meus recados, mas foi por questão de privacidade de nossas vidas. Todos ficaram carinhosamente guardados” (será que ele tem pasta anexa para alguns Ctrl+C Ctrl+V diários? Nossa!), e por aí, vai. Orkut fofoqueiro! Depois que inventaram a visualização de perfil de visitantes, então, o dedo-duro está rindo à toa.

Tem neguinho querendo saber onde se bloqueia isso, porque precisa (?) entrar no perfil alheio mas não quer ser denunciado. Só que o cara engalha o carro no cepo, pois ele não só fica anônimo no perfil dos outros como também oculta os outros do seu, aí acaba a graça. Orkut estraga prazeres! E as comunidades também denunciam. Vai falar que você adicionaria ao seu perfil uma comunidade da qual não se identificasse? Difícil! Mas, admitindo só para conversar, esse negócio de fofoca gera lucros. O Orkut mostra a vida de pessoas próximas e de tantas outras. Porém, há uma grande parcela da imprensa encarregada de nos informar, principalmente, sobre a vida dos famosos.

Além da internet, o rádio, jornais impressos e um crescente número de revistas contam e mostram verdades e mentiras que mudam nossas vidas! Já imaginou você com os amigos e alguém comenta que Glória Maria faz alongamento caseiro ouvindo jazz ou que Luana Piovani disse apoiar Juliana Paes, pois também sai sem calcinha? Aliás, Juliana está para abrir o Bar da Boa, você soube? Pois é, ela é garota-propaganda da cerveja boa... Esses assuntos abrem discussões intermináveis, a turma acaba tomando o dobro de cervejas. E o tema ‘fofoca’ gera audiência, também. Você lembra da dona Tosca da novela Belíssima ou de outros personagens de novelas passadas? Se houver uma pessoa assim na sua vizinhança, não é mera coincidência. A novela imita a realidade.

E na vida real, o babado pode ser bem mais forte. Vai desde um fuxico básico, tipo, “a vizinha, que nem trabalhar trabalha, trocou de carro! E agora é zero! (todo fofoqueiro que se preze é enfático)”, passando pelos discretos (?) e inocentes bilhetinhos que um passa para o outro em salas de aula, até fofocas que, rapidamente, correm bocas e ouvidos, terminando ou modificando amizades e amores. Como aquele mexerico que alguém lhe contou ou você foi vítima (ou vilão; aí é problema seu). Mesmo os mais discretos se entregam. Alguns fofocam até com um simples olhar que para o bom entendedor de simples não tem nada.

Inclusive, é preciso ser ligeiro. Outro dia, eu e um colega entramos num assunto lá, quando ele disse a frase crucial: “ó, vou te contar, mas é segredo, tá?!” Eu, sentindo que vinha uma daquelas que é melhor a gente nem ficar sabendo, respondi: “se é segredo, melhor você nem contar, né?!”... E saí dali rapidinho, fazendo uma oração para nossa senhora protetora da língua nervosa. Um pecado a menos. Nossa!

=)

Hoje assisti 'Os Normais 2'. Agradeço à agradável companhia de cinema, pipoca e gargalhadas. Abstrair, trocar figurinhas com amigos é sempre o melhor capítulo da história. Esses trechos merecem destaque com o marca-texto das doces lembranças: pra ficarem registrados de verdade.

2 comentários:

Cintia disse...

Sabe o que mais me deixa de cara nessa vida fofoqueira? É que muitos se dizem injustiçados e FUXICADOs, sendo que muitas vezes nem são amiga! hehe
Sabe o que é isto? Na minha opinião as pessoas se acham realmente muito IMPORTANTES HEHE. Se eu fuço? Sim. Por que? Pq sou ser humano. E atire a primeira pedra quem não faça isso né nega?!

beijão

dona Marcia disse...

Que os telhados de vidro estejam protegidos!Beijos, queridona.