sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma Dory em forma de gente

No filme Os Normais 2, Rui encontra um amigo na loja de conveniências e o cara faz uma pergunta crucial, algo tipo “Estás lembrado de mim, não?!”. Sem sucesso, Rui se esforça. O mesmo acontece novamente ao longo do longa e nada de o protagonista lembrar-se do sujeito. Coisa desrespeitosa e chata é esquecer o nome de alguém! A pessoa te encontra e se dismilinguindo toda te chama pelo nome, pergunta como vai o trabalho e dá detalhes da empresa. Ou pergunta pela mãe da gente, claro, nos chamando pelo nome e, se bobear, sobrenome. “Putz! De onde conheço esta criatura?”. Sou campeã nisso!

Não sei o que é pior: estender a conversa sob o perigo de o fulano perceber nosso sorriso amarelo ou então se atrever a soltar um “Desculpe-me, mas não lembro seu nome”. Que bem me importa melar, como diria minha mãe, mas tenho apostado na segunda saída. Sou franca em dizer que tenho dificuldade em memorizar nomes. Gente! Sempre que entro em situações assim sinto minha face rubra, felizmente disfarçada pela melanina. O hilário é a expressão de surpresa da outra pessoa, normalmente alguém de meu convívio cotidiano. Deve achar que está na presença de uma doida – e está. Risos.

Ainda não consultei um especialista pra averiguar a hipótese de ser um sintoma primário de Alzheimer, penso não ser (?) porque desde a infância sou esquecida. Meus colegas de trabalho, troco os nomes. Em cursos eu precisaria de uma carga horária maior pra decorar o nome de cada participante. Festa, reunião, telefonema. Uma loucura: nunca acerto o nome dos outros de primeira. Sinto-me uma Dory fora d'água! Lembra do filme Procurando Nemo? Aquela peixinha tão disposta, mas tão esquecida...

Nem quero abrir parágrafo para citar as sem número de vezes que me esqueço também de dar recados. Acho o máximo quando vejo um xiszinho assinalado no punho de alguém. Minha língua chega a ficar nervosa! Ai, que vontade de perguntar sobre o que o ciclano precisa lembrar! Porque eu, amiga, se marcar um xis na mão preciso incluir logo uma legenda senão, néca de pitibiriba!

Confessar aqui a dificuldade em memorizar fatos e nomes históricos, localização de capitais, países, continentes, então... nem pensar! Dá pra imaginar o que era História e outras disciplinas no período escolar, não?! Eu vivia a fazer associações das mais esdrúxulas e só eu compreendia meus motivos.

Ocorreu que nesta semana uma vizinha de infância passou por mim no corredor do prédio público onde trabalho. Não a via há tempos!

- Oi, Cristina, tudo bem?
- Oi! Sim, tudo na paz de Deus. E com você?
- Tranquilo, também...
- Que bom! E sua mãe, tá boazinha?
- Sim, está.
- ...és Marcia, né?
- Aham, sou Marcia...
- Que bom te ver, Marcia. Tchau.
- Tchau, Cristina...

Eu deveria sair bicuda porque a vizinha – de infância e que apesar não ver há tempos eu ainda lembrava o nome – esqueceu como eu me chamo. Mas, não. Porque percebi que os cumprimentos foram esticados durante alguns segundos por um motivo único: desconcertada, ela não lembrou meu nome! E com um tom de voz reticente quis reparar a falha (não encontrei uma palavra mais suave). Que atitude gentil a da Cristina. Nossas falas não duraram mais que o tempo de uma propaganda de televisão, mas a moça quis lembrar meu nome. Ela já não faz parte de nossa vizinhança.
Saí sorrindo por encontrar semelhanças, me vi ali.

Mas e eu (franzi a testa agora)? Tamanha é a gafe que dependendo da situação levo horas pra me perdoar por não ter lembrado o nome de alguém que vi há dois dias – ou menos. E meu ‘problema’ não se limita a nomes de pessoas ou recados. Filmes, lugares, compromissos, afazeres... bah! Juro que me esforço, que o esquecimento e essa trocança que faço me acaba e fico me martirizando. Mas eis que surge esse episódio com Cristina para me acalentar.

Pode parecer besteira, mas esquecer coisas banais – com todo respeito aos amigos que devem ser chamados pelo nome – é algo que me incomoda. Ainda não encontrei uma, digamos, técnica para diminuir essa deficiência que tanto já me atrapalhou. Se você, caro leitor a quem eu confidencio minha lamúria, foi bem sucedido em algum truque, me fale. Sou-lhe grata desde agora.

=)

Os amigos reais e virtuais que incentivam, sugerem, criticam e se expressam são a belíssima cereja deste bolo chamado Abstrações. Como às vezes mando o link por e-mail, alguns retornam pelo mesmo meio. Uns por visitarem do local de trabalho (e ter acesso restrito), outros por não saberem ou serem impacientes com as solicitações do Blogger. E sei bem o que é ter que fazer essas porcarias de cadastros chatinhos pra postar comentários.

Agora chegue mais perto que preciso cochichar algo: tudo pode ser simplificado se você tiver uma conta de email do Gmail, sabia? Basta fazer o login e fica tudo certo. Hum, também deixei em aberto a opção para postagens anônimas. Na pressa, recorra (torcendo para que o ‘anônimo’ se identifique após o ponto final da mensagem, hehe).

O narizinho de cera surge revestido de nobre causa:
manifestar aqui meu carinho e agradecimento a Vera, professor Ronaldo, Sérgio, Marina, Nelita, Daiane, Fábio, Maurício, Daniele, Vivian, Juliana, Leandro, Luciano, Daniela e outros tantos amigos que não lembro agora que embora não se manifestem publicamente no blog, igualmente me inspiram e motivam a melhorar a pagininha. Quanto a você, inoxidável* seguidor, esteja à vontade: a primeira fatia do bolo é sua, tá?!

*Inoxidável é o máximo! Hahaha.

10 comentários:

Luciano Cardozo disse...

Acho que eu tenho esse mal ao contrário. Sempre lembro de nomes, fatos e lugares. Minha memória é boa. Não falha mesmo. Lembro dos nomes dos meus amigos da escola, das namoradinhas, dos filmes, atores, diretores, desenhos e tudo mais. Sei á. Acho que é um dom. Por isso, nunca vou esquecer de voce dona...dona... como é mesmo seu nome???????????????

dona Marcia disse...

... sou a dona moça, rsss.
Pode chamar assim que eu atendo, ok?! haha.
Beeijos, querido!

#Luciane disse...

Puts...eu tenho esse habito diariamente ahaha...gentem esqueço nomes até de pessoas que trabalham comigo..uii...ve se pode..acho que é o excesso de inteligencia que temos né..dae nao deixa espaço para coisas banais né ahaha..

dona Marcia disse...

Hmm... nunca havia pensado nisso...
huahuahuhauha
Que esse nosso esquecimento realmente não seja sinal da idade, amiga!
Bjão. Seja muito bem-vinda!

Marco Antonio Mendes disse...

Sim, Márcia. É péssimo quando isso acontece. Principalmente na nossa profissão que conhecemos tantas pessoas, né. Pra quem trabalha em TV, então.... o telespectador se acha íntimo do repórter... hahhahaha!

Mas bem como vc disse, nada melhor do que ser sincero e perguntar a origem da criatura.

Beijãooooo!

Superpoderosas disse...

Como é bom ser sincero, ás vezes com isto vc fala exatamente aquilo que todos gostariam de ouvir ou até mesmo de falar e não tem coragem, porém corre o risco de como diria foucault se entranhar na teia das relações de poder e por fim ouvir alguém perguntando a vc: como vc tem coragem de esquecer - pois poxa "euuuuuuuu" nunca esqueço kkkkkkkkkkk - o que importa diante disto tudo é que o cotidianto é punk e eu tbm esqueçooooooooooo

dona Marcia disse...

Maaaaarco, verdade! "Só porque" moramos em uma cidade pequena (porém calorosa), a população entende que lembrar de todos é nossa 'obrigação', hehe.
Beeijos, bonito!


A palavra é 'simplificar', Sarita. E nisto está incluso o correr menos riscos. Apareça sempre, queridona!
Bjão!

marilia nunes disse...

É, realmente é um constrangimento inexplicável. São segundos que parecem não acabar, até o instante que lembramos "QUEM" realmente é aquele ser.
Mas o que eu acho mais estranho é que eu ajo diferente em cada situação dessa que presencio. Hora, finjo que sei quem é e ao longo da conversa tento descobrir, hora vou embora morrendo de curiosidade em saber quem é aquele ser estranho que não imagino quem é e em um outro momento, me vejo sendo a "super sincera" revelando logo o MEU segredo de não saber de quem se trata, de onde conheço e que preciso decifrar de uma vez "o segredo". é um tanto estranho, nem eu me entendo.

dona Marcia disse...

Marília, vamos fugir pras montanhas! kkkkkk
Bjão. Seja bem-vinda, moçona!

Guilherme disse...

Só tenho uma coisa a dizer: Eu não vi Os Normais 2 :(